É BOM SABER:Sem dúvida a obra que mais contribuiu para o
estudo e o entendimento da importância negra nas Américas. Foi Casa grande e
senzala, obra do sociólogo Gilberto Freyre, que com uma abordagem bastante
polêmica tentou promover uma reabilitação do homem de cor na consciência nacional dando novo animo para a auto-estima
dos brasileiros e consequentemente lançando aquilo que seria chamado no meio
acadêmico de Democracia racial. Segundo
Freyre, a situação que os negros se encontram esta diretamente ligada à uma
questão sócio-econômica e não racial, pois a miscigenação ocorrida no Brasil e
abordada como algo positivo, e até mesmo fundamental para o bem estar nacional.
A análise que Gilberto Freyre promove, proporciona uma revolução no mundo
acadêmico em âmbito nacional e internacional, pois estabelece uma reavaliação
das relações entre senhores e escravos adotando uma postura totalmente oposta a
de teóricos que viam as relações escravistas totalmente desprovidas de qualquer
sentimento de humanidade, o que teria produzido uma miscigenação totalmente
negativa e problemática para o processo de formação do povo brasileiro. De
acordo com a proposta de Freyre os lusitanos teriam buscado uma forma mais
branda de realizar a escravidão, pois a força de suas leis, a presença marcante
da moral cristã e o contato com outros povos e raças diferentes teriam
possibilitado certa flexibilidade dos lusitanos em suas ações com os negros,
sobrando pouco espaço para configuração de relações pautadas no desprezo, descriminação
e pré-conceito que foram tão marcantes na America anglo-saxônica. Sendo assim, Casa
grande e senzala acabou se afirmando como um grande clássico que
influenciou muitas percepções e concepções
historiográficas relacionadas principalmente a questão da mistura racial entre
brancos e negros nas Américas. Contudo, não podemos deixar passar despercebido
as outras correntes historiográficas que, sem duvida alguma, colocarão a obra
de Gilberto Freire em cheque, apontando criticas à teoria da democracia racial e questionando tanto a
metodologia quando as conclusões de Casa grande e senzala. Um dos principais
condutores desse processo de revisionismo foi o historiador
inglês Charles C. Boxer, que rejeitou com muita propriedade muitas conclusões
definidas por Freyre, sobre tudo as ligadas ao luso tropicalismo. Boxer destacou que as relações sexuais que os
lusitanos mantinham com mulheres de raças diferentes, resultando no processo de
miscigenação, não esta relacionada a nenhum tipo de respeito ou benevolência
para com indivíduos de ascendência africana, pois não haveria relação entre as
atitudes físicas e a configuração do pensamento. Boxer, também critica o mito
do senhor bondoso, enfatizando que os lusitanos eram tão
cruéis com seus escravos quanto os outros senhores europeus. Desta forma, percebe-se
que para Charles B. Boxer a democracia
racial, definida por Freyre, esta longe das verdadeiras relações entre
negros e brancos, afirmando que na verdade o Brasil era o inferno para os
negros, o purgatório para os brancos e com certeza não era o paraíso para os
mulatos.

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