segunda-feira, 26 de março de 2012

É BOM SABER:Sem dúvida a obra que mais contribuiu para o estudo e o entendimento da importância negra nas Américas. Foi Casa grande e senzala, obra do sociólogo Gilberto Freyre, que com uma abordagem bastante polêmica tentou promover uma reabilitação do homem de cor na consciência nacional dando novo animo para a auto-estima dos brasileiros e consequentemente lançando aquilo que seria chamado no meio acadêmico de Democracia racial. Segundo Freyre, a situação que os negros se encontram esta diretamente ligada à uma questão sócio-econômica e não racial, pois a miscigenação ocorrida no Brasil e abordada como algo positivo, e até mesmo fundamental para o bem estar nacional. A análise que Gilberto Freyre promove, proporciona uma revolução no mundo acadêmico em âmbito nacional e internacional, pois estabelece uma reavaliação das relações entre senhores e escravos adotando uma postura totalmente oposta a de teóricos que viam as relações escravistas totalmente desprovidas de qualquer sentimento de humanidade, o que teria produzido uma miscigenação totalmente negativa e problemática para o processo de formação do povo brasileiro. De acordo com a proposta de Freyre os lusitanos teriam buscado uma forma mais branda de realizar a escravidão, pois a força de suas leis, a presença marcante da moral cristã e o contato com outros povos e raças diferentes teriam possibilitado certa flexibilidade dos lusitanos em suas ações com os negros, sobrando pouco espaço para configuração de relações pautadas no desprezo, descriminação e pré-conceito que foram tão marcantes na America anglo-saxônica. Sendo assim, Casa grande e senzala acabou se afirmando como um grande clássico que influenciou  muitas percepções e concepções historiográficas relacionadas principalmente a questão da mistura racial entre brancos e negros nas Américas. Contudo, não podemos deixar passar despercebido as outras correntes historiográficas que, sem duvida alguma, colocarão a obra de Gilberto Freire em cheque, apontando criticas à teoria da democracia racial e questionando tanto a metodologia quando as conclusões de Casa grande e senzala. Um dos principais condutores desse processo de revisionismo foi o historiador inglês Charles C. Boxer, que rejeitou com muita propriedade muitas conclusões definidas por Freyre, sobre tudo as ligadas ao luso tropicalismo. Boxer destacou que as relações sexuais que os lusitanos mantinham com mulheres de raças diferentes, resultando no processo de miscigenação, não esta relacionada a nenhum tipo de respeito ou benevolência para com indivíduos de ascendência africana, pois não haveria relação entre as atitudes físicas e a configuração do pensamento. Boxer, também critica o mito do senhor bondoso, enfatizando que os lusitanos eram tão cruéis com seus escravos quanto os outros senhores europeus. Desta forma, percebe-se que para Charles B. Boxer a democracia racial, definida por Freyre, esta longe das verdadeiras relações entre negros e brancos, afirmando que na verdade o Brasil era o inferno para os negros, o purgatório para os brancos e com certeza não era o paraíso para os mulatos.

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