segunda-feira, 4 de junho de 2012

É BOM SABER:Da perspectiva dos senhores de escravos, havia apenas um papel apropriado para os cativos: realizar todas as atividades manuais e servir de bestas de carga. Eles eram não somente as maquinas e “cavalos” da capital comercial – burocrática, mas também a fonte da riqueza e do capital de seus donos. Todos tentavam investir em pelo menos um escravo que forneceria suporte financeiro e mão de obra. Os ricos acumulavam tantos “homens - maquinas” quanto possível e punham-nos a trabalhar em diversas profissões. O papel do cativo no ambiente urbano merece um exame detalhado.
                Em geral, os escravos eram forçados a labutar na agricultura e em atividades de subsistência, transporte, manufatura, pedreiras, obras publicas, vendas e serviços e administração. A maioria deles, evidentemente, era empregada em atividades braçais, desprezadas pelos seus senhores. Em cada setor da economia, as ocupações braçais sem especialização ou semi-especializadas eram exercidas pela maioria. Mas a variedade de ocupações braçais especializadas abertas então aos escravos é peculiar ao período, é uma minoria deles ocupava posições de responsabilidades em artes e ofícios, ao mesmo tempo em que alguns exerciam cargos de supervisores, capatazes e feitores. Alguns escravos tinham até propriedades, inclusive outros escravos. Porém, esta classificação é imposta sobre as fontes, pois os senhores nem sempre mantinham uma divisão rígida do trabalho, uma vez que esperavam que seus escravos de ambos os sexos fossem versados em tantas e tantas funções quantas lhes fossem exigidas. Assim uma escrava podia fazer serviço domestico, vender comidas e bebidas nas ruas e costurar.
                Os escravos também eram úteis aos senhores porque exerciam muitas funções além de trabalhar. Nas manhas de domingo ou nos passeios de fim de tarde, por exemplo, os donos faziam-nos desfilar pelas ruas da cidade para exibir sua posição social e riqueza. Se um senhor precisasse tomar emprestado dinheiro, os escravos serviriam de garantia; podiam ser vendidos a fim de pagar dividas ou levantar capital para outros investimentos. Quando a filha do senhor casava, eles podiam servir de dote e ir trabalhar para ela em sua nova casa. Em ocasiões especiais, eram dados de presente para amigos ou parentes do dono , ou a instituições de caridade. Também ganhavam dinheiro para ele, que as vezes os alugavam. Com freqüência, os senhores viviam dos proventos de seus escravos ou faziam-nos trabalhar de “Negros de ganho”, recebendo uma parte do que eles obtinham.
                Além disso, as escravas tinham, as vezes, de servir de parceiras sexuais de seus senhores, na qualidade de concubinas, amantes ou companheiras.
                Do seu ponto de vista, os senhores de escravos haviam desenvolvido um sistema ideal, no qual, em troca de um mínimo de roupas, alimentos e abrigo, seus cativos lhes proporcionavam benéficos incalculáveis. O preço do privilegio de possuir escravos, está claro, era pago pelos próprios escravos, com trabalho debilitador e morte prematura